Brasil na Copa do Mundo 2026: Eliminado, sim. Surpreendido, nem tanto

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Podem ser sinceros. Havia esperança? Lógico, senão não haveria motivo para torcer, ainda mais em um esporte que sempre surpreende. Nem sempre o melhor vence, mas o contexto geral sempre dá sinais.

Podem ser sinceros. Qual o nível de estresse que você teve enquanto assistia ao jogo? Se tivesse que dar uma nota para esse seu momento, qual seria? Vou um pouco mais além, e isso não significa que não teve torcida, pelo contrário. Para muita gente, foi uma das Copas com menos ansiedade, nem antes, nem durante e nem depois.

A derrota por 2 a 1 para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 não pode ser tratada apenas como mais um tropeço da Seleção Brasileira. Ela representa o encerramento de um ciclo que insistiu em acreditar que o peso da camisa continuaria compensando problemas que se repetem há anos. A eliminação confirma uma tendência que já vinha sendo desenhada nas últimas Copas.

E falta muito para aprender, porque se nem o 7 a 1 ensinou… será que algo pode mudar? Continuamos com esperanças sempre. Essa Copa ensinou sim e mostrou mudanças tão fortes nas mais diversas áreas que podem trazer, sim, uma possibilidade de mudanças.

Talvez a expectativa de ver alterações que partiriam do sistema todo, com a CBF, mas ela está vindo de fora, do público. Enquanto havia uma pressão para acreditar que o Hexa viria, não era isso que víamos nas ruas, nas conversas e nem nas redes sociais.

O que salva é o brasileiro que é especial, que comemora sempre, só que agora ele enxerga um pouquinho mais além do que é apresentado. Esse pode ter sido o maior ensinamento dessa Copa do Mundo. Quem não se divertiu com tantos memes nas redes sociais. Foram boas gargalhadas e essa alegria só o brasileiro tem.

Lições?

O jogo em si não empolgou. Pedíamos vontade, mas era uma Seleção que acompanhava, não corria, não batalhava como se esperava. Perder faz parte do jogo, mas assistir isso não.

Lógico que a reação natural e no primeiro momento é encontrar os culpados, entretanto o que é necessário nesse momento e saber quais serão as respostas. É tentador resumir tudo às mudanças do treinador ou a uma atuação desse ou daquele jogador. E dá para compreender todos os problemas que Ancelotti passou como jogadores com lesões durante – e não antes, não é? – a Copa.

Não adianta dizer que a camisa pesa, que as seleções temem o Brasil. O futebol mudou. As distâncias diminuíram. As análises táticas evoluíram.

Também não dá para colocar a culpa em um trabalho de curto tempo e julgar definitivamente o técnico Carlo Ancelotti.

O público já entendeu que essa conversa que o Brasil ia para o Hexa…não era bem assim… Quem não lembra da pressão em 2014, quando Felipão dizia que não havia plano B e só ser Campeão. Cheguei a achar que era implicância minha, mas conversando, e perguntando ao Rivelino (sim, ele mesmo) o que ele achava dessa tática e ele respondeu ser totalmente contra.

A dor da eliminação é inevitável, mas os torcedores já entenderam o que aconteceu, ou já esqueceram das enormes críticas sobre o evento da convocação para a Copa. Tudo dava sinais há muito tempo. Mas poderia acontecer uma reviravolta. Lógico e é isso que encanta o futebol.

O torcedor brasileiro continuará lotando estádios, acordando cedo, fazendo todos os memes possíveis e se divertindo com tudo. Isso nunca vai mudar. O desafio está do outro lado.

Camisa pesada não entra em campo, ainda mais para marcar Haaland.

E a Copa do Mundo de 2026 deixou isso claro mais uma vez. Aliás não foi só isso que deixou claro. Resta saber quando a lição vai realmente acontecer. Algo me diz que será mais rápido do que se espera.

E a camisa amarela? Guarda, respira e em 2027 usa de novo no Brasil na Copa do Mundo Feminina, aqui em casa.

 

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Post Author: Cristina Dissat