O caminho para o pódio olímpico exige uma engrenagem complexa nos bastidores. Para detalhar o planejamento rumo aos Jogos de Los Angeles 2028, Mariana Mello, gerente de projetos esportivos especiais do Comitê Olímpico do Brasil (COB), apresentou um panorama da entidade. O foco atual é prático: conectar a estratégia à execução na ponta e transformar o Brasil em uma “Nação Esportiva”.
Medalhas e as Novas Modalidades
Os dados históricos comprovam que investimento estruturado gera resultados. O gráfico de medalhas do Brasil mostra crescimento acentuado a partir de 1996 e um salto definitivo pós-2001, impulsionado pela estabilidade da Lei das Loterias. O amadurecimento culminou em Tóquio, quando o Brasil conquistou 21 medalhas e virou um dos raros países a melhorar a performance na edição seguinte após sediar os Jogos (Rio 2016).
O Judô segue como o carro-chefe da consistência nacional, subindo ao pódio em todas as edições desde 1992, seguido por Atletismo e Vela. Contudo, para diminuir os riscos, a estratégia do COB agora é descentralizar e investir em novas modalidades com potencial mundial, como o Tiro com Arco (do número um do mundo, Marcus Vinícius D’Almeida) e o Tênis de Mesa (de Hugo Calderano).
A estratégia e a Execução
Para tirar as ideias do papel, o COB criou o Plano Tático da Diretoria de Esportes. Sob a liderança do Diretor Geral Emanuel Rego, a gestão foi dividida em sete gerências e ganhou uma coordenação de Análise e Tecnologia Esportiva focada em Inteligência Artificial e dados. A engrenagem foca no atendimento sob medida para os atletas de elite, oferecendo suporte financeiro, bolsas e preparação mental.
Na área de saúde, o Comitê assumiu a responsabilidade por cirurgias e reabilitação de atletas lesionados a serviço das seleções, centralizando os tratamentos no Centro de Treinamento Time Brasil (RJ).
O diagnóstico final indica que o grande problema do esporte nacional não é a falta de dinheiro, mas a necessidade de aplicar os recursos por meio de uma estratégia unificada entre COB, confederações, clubes e governo. ”O problema no Brasil não é falta de dinheiro, é como aplicamos esse recurso sem uma estratégia unificada. Se queremos ser uma potência olímpica, precisamos antes ser uma nação esportiva, transformando o esporte em cultura”, concluiu Mariana Mello.
Por Maria Luisa Peres (Integrante do Projeto FimdeJogo/DC Press e a Universidade Veiga de Almeida. Supervisão Daniela Oliveira). Edição Cris Dissat.
