Sempre nos perguntam por que participamos de evento de tecnologia, se nosso foco é o esporte? Se o jornalista esportivo não acompanhar o que tem de mudanças vai ficar vendo o trem passar e será complexo tentar acompanhar depois.
Estivemos em mais uma edição do Web Summit Rio 2025 no Riocentro, que no período se transforma em uma grande arena global da inovação. Mas, para além dos painéis sobre inteligência artificial, blockchain e novos modelos de negócios, havia um campo específico que interessava ao universo esportivo: como a tecnologia está redesenhando o jogo dentro e fora das quatro linhas.
Nos corredores, o clima lembrava zona mista de final de campeonato. Fundadores de startups dividiam espaço com executivos de clubes, plataformas de streaming, empresas de dados e marketing esportivo. A pauta era clara: performance, engajamento e monetização. Aliás, vale lembrar que para ter engajamento é preciso conteúdo, que é a praia do jornalista
Tecnologia como vantagem competitiva
Se antes o debate era sobre “usar ou não usar dados”, agora a discussão gira em torno de como integrar inteligência artificial às rotinas esportivas de maneira estratégica.
Entre os temas mais recorrentes:
- Plataformas de análise preditiva para prevenção de lesões
- Softwares de leitura tática em tempo real
- Ferramentas de engajamento direto com torcedores via apps proprietários
- Modelos de membership e tokenização de experiências
Um fato que falamos há anos e vai se concretizando: a tecnologia deixou de ser acessório. Tornou-se ativo central na governança esportiva. O que continua ser complexo, é que em um meio com tantas novidades, o jornalista ainda precisa batalhar por tomadas e wifi nas coberturas. O assunto parece que nunca faz parte da cobertura de um jogo.
Tendência e Bastidores
Uma das tendências foi o fortalecimento do chamado “backoffice esportivo”. CRM para clubes, gestão de dados de sócios, inteligência comercial aplicada a arenas e estádios.
Startups brasileiras apresentaram soluções voltadas à integração entre bilheteria, consumo em arena e comportamento digital do torcedor. A promessa: transformar cada partida em uma experiência 360°, mensurável e personalizada.
Ainda sobre o @WebSummitRio – a ansiedade de todo mundo em relação à inteligência artificial pic.twitter.com/A6ovWCF5PB
— Fim de Jogo (@fimdejogo) May 2, 2025
IA e produção de conteúdo: a nova redação esportiva
Outro ponto forte foi o impacto da inteligência artificial na cobertura esportiva. Ferramentas capazes de gerar estatísticas automatizadas, clipes em tempo real e relatórios pós-jogo já estão sendo usadas por clubes e veículos.
Para quem vive conteúdo, como o Fim de Jogo, fica claro que o diferencial não está apenas na velocidade, mas na curadoria. A tecnologia entrega volume. O olhar editorial ainda entrega contexto.
Fan experience
O torcedor, cada vez mais, deixou de ser apenas público. Ele é dado, comunidade, audiência recorrente e ativo estratégico. Mas para isso, os estádios precisam ter internets abertas porque isso gera integração.
Experiências imersivas, realidade aumentada, programas de fidelidade gamificados e integração entre eventos físicos e ambientes digitais estiveram no centro das conversas. A pergunta que ficou no ar: qual clube brasileiro está realmente preparado para operar nesse nível?
O Web Summit Rio 2025 deixou uma mensagem clara para o esporte: não existe mais gestão amadora em mercado profissional.
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