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Rio Info 2018: Diversidade na TI

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Estamos em um tempo em que a luta por igualdade social e racial tem ganhado cada vez mais força e espaço. A geração atual tem buscado mudança, e esse tipo de posicionamento não tem ficado apenas em redes sociais, ou em conversas entre respectivos grupos. O assunto chegou no Rio Info através da palestra “Diversidade na TI”, no primeiro dia de evento. A conversa não tinha apenas a finalidade de expor a causa, como também, fazer uma análise do mercado de tecnologia para mulheres e negros, e buscar soluções para problemas encontrados.

O auditório estava lotado e assim permaneceu até o final da programação. O assessor de imprensa do Rio Info, Ivan Accioly, consultor da Riosoft e do TI Rio, foi o responsável por mediar a palestra. O primeiro a falar foi Leizer Pereira, diretor executivo do grupo Empodera.

Ele apontou que no Brasil existem diversas pessoas com um grande potencial, porém, as empresas não estão sabendo fazer o recrutamento certo. “Nós olhamos para favela vemos violência, pobreza e escassez, não é mesmo? Não, não é verdade. Quando eu olho para as comunidades eu estou vendo tecnologia em abundancia, estou vendo gente desenvolvendo aplicativos. Mas é invisível, não é? Nós não estamos dando visibilidade para isso,  e não estamos tentando conectar esse jovens com o mercado de trabalho. Um dos maiores desafios na área de TI é saber aproveitar essa mão de obra rica e diversificada, e fazermos o país crescer”, comentou.

O diretor da Empodera acrescentou que o mercado precisa mudar sua forma de avaliar currículos. “As empresas precisam abrir a mente quando se trata de diversidade e inclusão. Vamos ser sinceros? Nesse setor, o negro, o candidato de baixa renda, e o transsexual já são cortados no processo seletivo. Isso precisa mudar”, afirmou.

Outra participante foi  Thaisa Ranieri, da empresa Confitec. Responsável por desenvolver área de estratégia comercial da empresa em que trabalha, Thaisa comentou sobre a dificuldade de encontrar mulheres no mercado de tecnologia. “Ano passado  um abri processo seletivo para o público feminino e não achei profissionais para preencher as vagas. Isso acontece porque poucas procuram pela área, muitas vezes, até por medo ou falta de incentivo. Temos que incentivar nossas meninas desde cedo”, comentou.

Após a apresentação de Thaisa Ranieri, O ID BR, Nuno Azevedo apresentou para os participantes o projeto “Sim à igualdade racial”. Animado, ele motivou a todos do auditório a repetirem juntos: “A igualdade racial é a minha causa”.

Roda de Conversa 

Após as apresentações, outros profissionais se uniram para um bate papo. Foram eles: Josivan Sabino, chefe de Divisão e Suporte de TI na  Federação da Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan); Karen Pacheco, analista da Tim Brasil; Wanderson Trindade, analista de Sistemas na Prosaúde; Mariana Britor, pesquisadora e desenvolvedora da International Business Machines (IBM) e Claudia da Silva, jornalista.

Nascida em Cabo Verde, Karen Pacheco fez faculdade de Ciências da Computação aqui no Brasil, e compartilhou com os presentes a experiência que teve como imigrante, mulher e negra. “O preconceito e o assédio existiam e muitas vezes pensei em desistir. Certa vez, eu liguei para os meus pais e disse que ia voltar para o meu país. Só que pensei: ‘eu passei por tanta coisa para chegar até aqui, não posso jogar tudo para o alto por um motivo desses’, eu tinha que continuar”, contou.

Mariana Britor pontuou que em algumas situações de discriminação é necessário se impor.”Tem vezes que precisamos fazer cara feia quando nos olham torto. As pessoas precisam saber que estão nos machucando e nós não seremos indiferentes a isso”, comentou.

Jornalista de 52 anos, Claudia da Silva compartilhou sua experiência de sofrer preconceito pelo mercado por conta da sua idade. “Hoje em dia meu problema não é apenas ser mulher e negra, muitas vezes eu tenho que lutar contra o fato de ser uma pessoa mais velha. Toda a minha bagagem da profissão não conta mais. Diferente de algumas situações, eu tenho procurado me reinventar e me atualizar para conseguir algumas coisas na área. As empresas poderiam ter um olhar especial para casos como o meu”, pontuou.

O bate-papo terminou deixando um desafio para os presentes: que a luta não fique restrita nas paredes do Rio Info e continue no dia-a-dia. Todos concordaram que o assunto deve continuar sendo debatido em eventos e desejaram que mais jovens possam estar presentes em outras edições.

 

 

 

 

 

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Post Author: Taina Oliveira

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